Boas ideias não são bons negócios

Boas ideias não são bons negócios

 

Diz-se que de boas intenções está o inferno cheio. Mas vamos mais longe ao afirmar que no inferno do mundo empresarial, também moram milhares de boas ideias, que não resultaram em negócios de sucesso. Quantas boas ideias poderiam ter dado bons negócios, e nunca vingaram? Inúmeras! Todos nós devemos conhecer algumas ideias que nunca deram, nem poderiam dar, bons negócios.

A história da humanidade está cheia de invenções e ideias que poderiam ter tido ótimos resultados comerciais . Mas então porque não vingaram estes negócios? Alguma coisa falhou no processo da sua implementação no mercado.

Ter “uma boa ideia” ou “um bom produto” não é por si só sinónimo de ter um bom negócio. Ter ideias, ser inventor, é muito diferente de ser um gestor. Para ter ideias precisamos de pessoas criativas, para ter bons negócios precisamos de gestores. E, na maior parte das vezes, estas competências não andam de mãos dadas.

Boas ideias resultam em bons negócios pela mão de uma equipa capacitada

O sucesso de qualquer negócio exige muito trabalho de preparação, estruturação, estratégia e operacionalização… Não basta saber como vender e a quem. Tem de se pensar em como se obtêm vendas repetidas ou recorrentes, ou como se retém o cliente, ou como o podemos colocar a vender por nós ou a recomendar o nosso produto ou serviço. Não basta saber o preço de custo e encontrar o preço de venda numa multiplicação simples, sem equacionar devidamente todos os intervenientes no processo de venda e perceber todos os custos que a margem tem de englobar.

Por exemplo, um negócio que inicia numa escala reduzida, e com uma determinada margem, que cobre os custos operacionais e até contempla a entrega feita pelo dono do negócio ou um funcionário. Mas quando se tenta escalar o negócio, e é preciso incorporar um armazenista, um distribuidor, um representante ou um comercial, a margem deixa de ser suficiente… No entanto, o produto já está no mercado e é comunicado, com um preço final que não pode ser agora praticado, pois é necessário remunerar os vários intermediários.

Importa investir na capacitação da equipa

Para se ter um negócio é necessário conhecer profundamente o cliente, determinante para o êxito comercial da empresa. Não só conhecer, mas também compreender as suas necessidades e ambições. Saber como chegar até ele com eficácia e descobrir a melhor forma de lhe mostrar a sua vantagem competitiva. Ter um negócio é garantir que a oferta satisfaz o cliente. É dominar a oferta em função do mercado global. É articular a sua proposta de acordo com agentes de mercado, concorrência, fornecedores ou parceiros. É trabalhar uma força de vendas, real ou virtual, mas capacitada para trazer clientes de forma continuada. Ter um negócio é liderar uma equipa, é dominar a legislação em vigor. É adotar práticas de gestão eficaz. Ter uma boa ideia não é ter um bom negócio!

Temos à frente das empresas pessoas que percebem como ninguém o seu negócio, do seu produto e todos os segredos. Mas percebem pouco de gestão. Gerir um produto não é gerir um negócio! Claro que é muito difícil para um empreendedor, deter todas estas competências e dominar todas as ferramentas de gestão, comunicação ou liderança que lhe são exigidas. Mas todas as competências se podem treinar e aperfeiçoar. Importa por isso que tenha a noção das competências que já possui, das que pode apreender ou atualizar, e quais poderá obter junto da sua equipa.

Uma visão estratégica de um negócio inclui a aprendizagem contínua de competências. Neste contexto recomenda-se o desenho de um plano de formação à medida das exigências de cada equipa. E então sim, com uma equipa competente e motivada e a adoção de boas práticas de planeamento, uma boa ideia poderá ser sinónimo de um bom negócio.

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